Janeiro 10 2009

"Trazemos em nós uma tal necessidade de amor que, por vezes, um encontro no momento certo - ou talvez no momento errado - desencadeia o processo de fulminação e de fascinação.
Nesse momento, projectámos sobre outrem essa necessidade de amor, fixámo-la, endurecemo-la, e ignoramos o outro que se tornou na nossa imagem, no nosso totem. Ignoramo-lo crendo adorá-lo. Aí está, efectivamente, uma das tragédias do amor: a incompreensão de si mesmo e do outro".

 

Edgar Morin, in Amor, Poesia, Sabedoria, Ed. Instituto Piaget.

publicado por contrariadora às 18:52

Janeiro 10 2009

Fenomenal este excerto de um blog de Ana Roque:

 

"É precisa coragem para enfrentar a dureza da verdade, mas não tanta quanta a requerida para destruir a última réstea de esperança. Para viver de modo inteiro, vale a pena tentar encontrar-se tantas vezes quantas as necessárias, como um prisioneiro que procura evadir-se e não desiste, mesmo quando vê goradas inúmeras tentativas. A prisão do nosso descontentamento é um lugar muitas vezes inescapável na aparência, mas a saída existe sempre, escavada num trabalho árduo, paciente e demorado, cheio de reveses e de pequenos atrasos de anos. A aridez seca cada vez mais a alma e deixa-a exangue e confusa. Mas persistência, determinação e constância só são inegáveis virtudes se e quando aplicadas à construção, ao crescimento interior, à busca serena da alegria confiante; se, ao contrário, significam apenas recorrência inglória de momentos de sofrimento previsível, anunciado, a continuação proclamada do vazio afectivo, ou a resignação cansada e desistente do que deseja por mera descrença cínica e amarga do amor (em que se acreditou como força anímica primordial), então serão vícios destrutivos, frutos de uma especial cobardia mascarada de resistência. Pior ainda, obrigam-nos a fazer da vida um mero ritual de sobrevivência mais ou menos bem sucedido. "
 

publicado por contrariadora às 18:34

Janeiro 10 2009

"Em verdade vos digo: no tempo que nos é dado, o carcereiro mais impiedoso que podemos ter é a nossa própria inflexibilidade."
 

publicado por contrariadora às 18:30

Janeiro 10 2009

"Uma vez amei, julguei que me amariam,
Mas não fui amado.
Não fui amado pela única grande razão -
Porque não tinha que ser.

Consolei-me voltando ao sol e à chuva,
E sentando-me outra vez à porta de casa.
Os campos, afinal, não são tão verdes para os que são amados
Como para os que o não são.
Sentir é estar distraído."

 

Alberto Caeiro, in Poemas inconjuntos.
 

publicado por contrariadora às 18:27

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