Maio 19 2008

Não era tanto o que havia ao fundo da estrada que assustava Ammu, antes a própria natureza da estrada. Sem marcos quilométricos a acompanharem-lhe o curso, sem árvores a crescerem na berma. Sem sombras sarapintadas a ensombrarem-na. Sem neblinas a passarem nela. Sem pássaros a esvoaçarem sobre ela. Sem desvios, curvas e contracurvas obscurecidas, ainda que momentaneamente, teve uma visão nítida até ao fim. Isto encheu Ammu de um temor intenso, porque ela não era o tipo de mulher que quer saber o futuro de antemão, temia-o demais.

Se lhe fosse concedido um pequeno desejo, talvez pedisse para Não Saber. Não saber o que cada dia lhe reservava. Não saber onde poderá estar no próximo mês, no próximo ano. Daqui a 10 anos.Não saber para que lado poderia virar a sua estrada e o que haveria para lá da curva.

 

Estou num verdadeiro dilema...Numa encruzilhada...Sempre me achei segura o suficiente para alcançar os meus objectivos...Sempre disse que sabia e que sei  verdadeiramente o que desejo...Contudo, não sei...E eu detesto não saber, não ter certezas de nada, viver numa incógnita, à espera que o futuro me ilumine...e me traga as minhas verdadeiras aspirações...

Eu sei o que quero mas porque continuo à espera? Porque não deixo as coisas acontecerem ao seu ritmo? Porque cedo à tentação de querer tudo tão rápido e depois, ao mesmo tempo, abrandar para perceber realmente se é aquilo?

Eu não quero procurar mas será que devo? Ou opto, como sempre tenho feito, por esperar pacientemente e gozar e agradecer tudo o que tenho na vida? E eu tenho tanto!... Porque estou a ser injusta?

 A verdade é que, se me fosse concedido um pequeno desejo, gostava de vislumbrar um bocadinho do futuro e saber se estou a ir pela estrada certa!

Vocês não?

publicado por contrariadora às 19:13

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